
Sexta-feira a noite. Natal esteve sob um dilúvio pela manhã e dava até para apostar que seria assim o dia todo. Mas, a tarde o céu abriu e a noite tínhamos até estrelas. Queríamos descansar um pouco depois de uma semana corrida. Uma saída só nós dois e uma mesa na varanda do Carlota Bistrô com pessoas divertidas e conversa permeada de risadas. Ao fundo, uma guitarra. Camilo Lemos tocando lá nas noites de sexta-feira deste mês de março. O som no volume certo permitindo que a conversa fluísse. Não tolero lugares que a gente precisa ficar gritando para ser ouvida. Frequentamos o Carlota desde sua inauguração. Com amizade com seus proprietários sinto-me até incomodada em falar de lá, mas não podia deixar de comentar. A cozinha fica sob a responsabilidade de Carla, a Carlota, para mim só Carlinha. Uma pessoa de voz mansa e pulso firme e que cozinha como ninguém. No primeiro cardápio da casa tinha uma salada de grão-de-bico e bacalhau dos deuses que saiu de linha, mas que ela faz com carinho se ligar com antecedência e pedir, assim como o cuscuz paulista. Não sei dizer qual é o melhor. Ontem fui de talharim ao creme de espinafre com parmesão. O prato é individual, bem servido. Custa R$27. De verdade, só consegui comer metade dele. Flávio pediu uma carbonara que estava com um perfume delicioso. Já comi outras vezes. Pedi um suco de morango. Esta história de reeducação alimentar não me deixa mais comer tudo o que eu queria, principalmente a noite. Por isso, fiquei sem sobremesa, mas o creme de papaia dela é de enlouquecer. A parte externa da casa fica sob o olhar atento de Edgard, marido da Carlota, e uma figura com aquele sotaque carregado trazido de São Paulo que conquista facilmente amigos por sempre ter uma palavra destemperada solta na boca. A sensação que tenho é que todos os clientes acabam se tornando amigos. E quando os amigos chegam à casa, sentam-se juntos e as mesas se tornam grandes festas. Normalmente, vê-se mesas com italianos que parecem descobrir esta delícia escondida em Capim Macio antes de muitos natalenses. Ontem não foi diferente. O cardápio sofreu algumas variações ao longo deste mais de um ano de casa aberta e, logo mais, também oferecerá açaís, o que é uma ótima opção para os ciclistas noturnos que enchem nossa cidade de bicicletas. Acho que vai ser outra coisa legal. Espero sucesso sempre para eles. Merecem. E Natal merece uma comidinha tão gostosa e feita com tanto carinho sempre com o olhar atento da proprietária para não deixar a qualidade cair.
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